Com pesadas críticas à gestão anterior e com promessas de buscar recuperar a empresa por intermédio de uma política de eficiência operacional, o novo presidente da Petrobras, Pedro Parente, assumiu, oficialmente, o cargo nesta quinta-feira (2/6), A cerimônia de posse ocorreu no prédio sede da estatal no Rio de Janeiro.
Parente, que foi ministro Chefe da Civil durante gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), e que ganhou notoriedade quando assumiu o cargo de coordenador de um grupo de trabalho interministerial para gerenciar e unificar as ações de racionamento de energia, durante a crise do 'apagão' em 2001, tem pela frente a dura missão de recuperar uma empresa que se encontra na pior crise econômica e de credibilidade desde a sua fundação em 1953.
Durante discurso de posse, Parente classificou como quadrilha o grupo de funcionários envolvidos no maior escândalo de corrupção corporativa da história do país. Além disso, o novo presidente da empresa também creditou ao que considerou como erros dogmáticos políticas implementadas pelo governo Dilma Rousseff, causando sérios problemas financeiros à empresa.
O blog ORB elencou alguns desafios a serem enfrentados por Parente:
Venda de ativos
Antes do afastamento da presidente Dilma, o então presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, já anunciava a abertura de capital da BR Distribuidora e venda da partipação da estatal na Braskem, a sétima maior petroquimica do mundo. Segundo Parente, essa política terá continuidade. No entanto, o poder de barganha de possíveis interessados é grande, uma vez que a empresa tem que correr contra o tempo para diminuir a sangria causada pelo forte endividamento (com grande parte da divida em dólar) num momento em que o mercado de petróleo e gás no mundo se encontra em grande baixa. Além disso, tentar convencer possíveis compradores que o controlador, no caso o governo, não terá políticas intervencionistas será um outra tarefa a ser encarada pelo novo presidente.
Problemas com empresas fornecedora de serviços
Outro grande problema a ser enfrentando será encontrar soluções e alternativas para empresas fornecedoras de serviços, sobretudo os de engenharia, uma vez que as principais empresas do setor estão envolvidas no escândalo do Lava-Jato. Como resolver esse impasse?
Conteúdo Local
O novo presidente também teceu críticas à política de conteúdo local brasileira que, segundo ele, causa problemas relacionado a custo e prazo de entrega de encomendas. Apesar de ser uma agenda antiga que faz coro com as outras operadoras que atuam no país, a política de conteúdo local sempre foi uma bandeira das empresas brasileiras, que defendem a reserva de mercado com forte apelo à defesa da indústria nacional. No momento em que o setor industrial enfrenta uma das piores crises da sua história, com desemprego e quedas nas receitas, levar a frente uma proposta que garanta maior flexibilidade na aquisição de produtos trará duros embates entre representantes das indústrias locais e a estatal.
Fim do status operador único do pré-sal
O projeto de lei do senador José Serra (PSDB-SP), que muda o marco regulatorio do petróleo também foi tema do discurso do novo presidente da empresa. Aprovado no Senado, mas, ainda, em tramitação na Câmara, o projeto tem como objetivo retirar a obrigatoriedade da empresa em ser a única operadora em campos do pré-sal a serem licitados pelo modelo de partiha de produção (caso do campo de Libra, na bacia de Santos).
É importante salientar que mesmo com a alta produtividade do pré-sal, que registrou, em maio, a marca de 1 milhão de barris por dia - 40% da produção nacional - as operaçoes nas áreas ultra-profundas têm custo alto e apresentam grande peso ao caixa da empresa. Prova disso, foi a decisão da empresa de se ausentar no último leilão de campos exploratórios para não comprometer ainda mais os custos que ela tem tido, sobretudo em Libra. Com a aprovação da lei, além de dar mais fôlego à Petobras, como, também, permitirá ao governo realizar mais leilões do pré-sal sem ter que, assim, onerar a petroleira brasleira.
Política de preços de combustiveis
A intervenção da gestão anterior no preço dos combustíveis, principal fonte e receita da Petrobras, fez com que a companhia tivesse sérios problemas de caixa. Segundo levantamento feito pelo professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Edimar de Almeida, a política de controle de preços do governo federal trouze impactos negativos do desalinhamento dos preços na Petrobras.
" A dívida da Petrobras aumentou em mais de 70% de 2011 a 2013, sendo o aumento mais forte de 2012 para 2013 (36%). (...) crescimento da dívida líquida foi ainda maior (mais que dobrou). Em termos absolutos, entre 2011 e 2013 a dívida bruta e a líquida cresceram mais de R$ 100 bilhões" - O estudo pode ser acessado aqui .
Embate com petroleiros
O sindicato dos petroleiros se mostrou crítico às recentes gestões da Petrobras (tanto na era FHC como nos anos Lula e Dilma), sobretudo no que tange ao processo de terceirização da empresa. Além disso, o sindicato sempre foi contrário à ideia de venda de ativos e participação de empresas estrangeiras nas atividades de exploraçao e produção de petróleo no país. A mudança do regime de concessão para o de partilha e a obrigatoriedade de ter a Petrobras como a operadora única para os futuros leilões do pré-sal atendeu, mesmo que de forma timida, as reinvidaçoes históricas da categoria.
No entanto, com o afastamento da presidente Dilma Rousseff, cujo partido possui uma aliança histórica com a categoria, o sindicato ficará mais à vontade para promover fortes embates com a atual direção da Petrobras, que, segundo Parente, promoverá medidas de austeridade empresarial. Greves e paralisações podem dar o tom na relação entre petroleiros e os mandatários da estatal.