segunda-feira, 4 de julho de 2016

Petróleo barato: o fim de uma era?

Por mais de dois anos, o preço do petróleo se encontrava em queda livre. No entanto, com o aumento da demanda e queda na oferta,especialmente por conta da baixa no estoque e problemas nas operações em países como Canadá, Nigéria e Líbia, esse quadro começa a mudar. 
Recentemente, a Agência Internacional de Energia anunciou que espera que o mercado de petróleo vai encontrar um equilíbrio até o final de 2016, o que significa que o mundo vai experimentar tanto um impulso na produção como no consumo de petróleo. Na última semana de junho, o preço do barril de petróleo tipo Brent se manteve na faixa dos US$ 50, após atingir esse patamar em maio deste ano depois de sete meses. 
Demanda
Do lado da demanda, China, Estados e Unidos e India vão registrar aumento do consumo por petróleo para este e para os próximos anos, conforme previsões feitas pela própria AIE.
A China, por exemplo, vai demandar 340 mil barris de petróleo por dia a mais comparado a 2015. Apesar de não mais ostentar o ritmo de forte crescimento visto em anos anteriores, o aumento da demanda se dará em função de investimentos na indústria petroquímica e crescimento da venda de carros. Segundo dados da Associação de Fabricantes de Automóveis da China, nos três primeiros meses do ano registrou um avanço anualizado de 6,8%.
Além dos bons resultados nas vendas de carros, a China vem intensificando os investimentos estatais na sua indústria de petroquímica, que em 2015 registrou crescimento de 10% em relação a 2014. Este ano, este setor pode ter uma performance semelhante, mantendo o gigante asiático como o principal motor da indústria petroquímica mundial.
Já a Índia, que por conta do bom ritmo de crescimento da atividade econômica no país, pode ultrapassar a China no consumo de petróleo. Segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE), do planeta média de ritmo da atividade econômica para os próximos 25 anos será, em média, de 6,5%, índice superior um ponto percentual do crescimento da China para o mesmo período. E, segundo, a mesma agência, a India, que somente possui 1¢ das reservas provadas de petróleo do mundo, terá que importar petróleo para manter esse ritmo.


Por fim, os Estados Unidos que, mesmo com uma recuperação tímida, consegue ter grande peso para os índices de consumo de petróleo em escala global.  O país vem experimentando oscilações no estoque de petróleo, mas, também, registra queda na produção em função do corte de investimentos feito pelas empresas para fugirem dos preços baixos.  
Oferta
Desde meados de 2014, a grande oferta de petróleo puxou os preços para baixo, prejudicando os balancetes das empresas e causando danos aos orçamentos de países dependentes da exploração e produção de petróleo, como Rússia e Iraque.
Se o preço do petróleo está chegando perto de um ponto de equilíbrio entre oferta e demanda isso não se dá por causa dos principais membros da Opep, especialmente a Arábia Saudita, que manteve a produção mesmo com os preços em queda.
Ao invés disso, o mercado pode agradecer às interrupções das ofertas de petróleo, no qual chegou, em maio, ao seu maior nível em cinco anos.  Os declínios da produção ocorreram em grande parte por conta de incêndios no Canadá que derrubaram as atividades em alguns campos de sand oil na província de Alberta.
Outras regiões também apresentam problemas: uma nova geração de milicianos no Delta Niger, no sul da Nigéria, está mirando nas instalações de produção de petróleo no local. Enquanto isso, a Líbia continua em processo de desintegração política, o que faz com que a produção e exportação de petróleo do país fiquem apenas uma fração do que era antes da guerra civil que o país se encontra.

Outros importantes produtores de petróleo, com destaque para a Venezuela, enfrentam graves crises política e econômica. Muitos especialistas acreditam que as exportações de petróleo venezuelano vão ter forte queda este ano.

Juntos, a queda no estoque, ataques e incêndios derrubaram a produção em 3,7 milhões de barris de petróleo por dia.  Tudo isso ajudou a empurrar os preços do petróleo para sua maior alta em anos. Nos últimos dois anos, o mundo ficou então inundado em petróleo que o mercado podia dar de ombros ao virtual desaparecimento da indústria do petróleo na Líbia, por exemplo, ou assistir ao retorno de milícias rebeldes da Nigéria sem sobressaltos. Agora, contudo, a queda no estoque pode causar grandes ondulações num mercado cada vez mais comprimido.
Fato é que o mundo não est de volta à época na qual qualquer tropeço na oferta significava um aumento de  no preço, mas o mercado está bem acordado para os acontecimentos geopolíticos.
Enquanto os incêndios no Canadá, nos quais, em seu pior momento, foram responsáveis por reduzir a produção em mais de 1 milhão de barris de produção de petróleo por dia , estão diminuindo, as turbulências na Nigéria e na Líbia ainda estão longe de terminarem, segundo análises feitas por especialistas da AIE. 
O quadro geopolítico tem ajudado a dar maior estabilidade para os preços do petróleo e acelerando o equilíbrio global entre oferta e demanda.
A Nigéria tem importante papel nesse processo de turbulências, pois além das instalações serem alvo de vandalismo, o que contribuiu para a queda de 1 milhão de barris por dia, há também o surgimento de uma nova geração de rebeldes que parecem ser mais resistentes a qualquer tipo de negociação com o governo.

 
Correndo por fora, temos a Arábia Saudita e sua política de produção a todo vapor. O reino ainda continua produzindo próximo a níveis recorde 10,2 milhões de barris por dia. Isso significa que o país árabe tem muito menos capacidade de aumentar a produção de petróleo para atender às necessidades globais por esse combustível. Ou seja, quanto mais a Arábia Saudita produz, menos capacidade de estoque de reserva existe no seio da Opep.

E como a capacidade de estoque de reserva é essencial para absorver choques no mercado global de petróleo, o mundo pode estar em breve numa rota de turbulência. 

Redução de consumo de gás no Brasil vai influenciar produção em 2016, diz QGEP



A Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP) anunciou, nesta segunda-feira (04/7), que a queda no consumo de gás no Brasil pode fazer com que a produção média de gás do Campo de Manati, onde a companhia tem operação, sofra uma queda de 10% em 2016 em relação ao ano anterior.


A afirmação foi feita pelo CEO da QGEP. Lincoln Guardado, que lembrou os dados anunciados recentemente pelo Ministério de Minas e Energia que atestam uma redução de 25% de demanda e consumo de gás nos últimos 12 meses. 

Contudo, Guardado afirmou que mesmo com a diminuição da produção, as operações no Campo de Manati, que que está localizado na Bacia de Camamu, no litoral da Bahia, eficientes e rentáveis. “Acreditamos que este fenômeno é conjuntural e brevemente teremos a retomada do consumo”, comentou o executivo.

No segundo trimestre, a produção média de gás em Manati foi de 5,0 milhões de m³/dia, sendo 6,0 milhões de m³/dia de produção em abril, seguida de um declínio na produção em maio e junho, em função da queda significativa no consumo de gás em todo o território nacional. 

Como resultado, a Companhia está revisando a estimativa da produção média anual para 5,1 milhões de m3/dia ao invés dos 5,7 anteriormente projetados para 2016, considerando um cenário de baixa demanda pelos próximos seis meses. Reafirmamos que o Campo de Manati continua com a capacidade de produção mantida em 6,0 milhões de m³/dia. A QGEP estima que a margem EBITDA do Campo de Manati se manterá entre 60% e 65%, mais que suficiente para sustentar as operações atuais.

“Vale destacar também a solidez do nosso balanço, com R$1,3 bilhão em caixa no final do primeiro trimestre, que aliado ao fluxo de caixa operacional esperado nos permitirá prosseguir com os compromissos planejados em nosso portfólio de desenvolvimento e de exploração para 2016 e 2017”, conclui Guardado.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Clariant adquire controle de unidade de fluidos no RJ para atender mercado offshore


A Clariant, empresa especializada em especialidades químicas, anunciou nesta sexta-feira (24/6), a aquisição de 50% da participação da Carboflex no consórcio que construiu e opera a planta localizada na Baía da Guanabara.






De acordo com comunicado feito pela empresa, a unidade, localizada no Rio de Janeiro, produz químicos usados em poços para exploração e produção de petróleo e gás. “A aquisição é parte da estratégia de investimentos da Unidade de Negócios Oil & Mining Services da Clariant e permite à empresa assumir o controle total da planta para expandir sua oferta de produtos químicos para os clientes offshore, otimizando prazos de entrega”, informou a Clariant em nota à imprensa.

“Nossos planos para expandir ainda mais nosso portfólio e expertise técnica nos permitirão trabalhar com mais proximidade com os clientes no mercado brasileiro de petróleo e gás para atender seus desafios”, John Dunne, diretor Global da BU Oil & Mining Services da Clariant “

Além da produção de fluídos, que são críticos para as atividades de exploração e produção de petróleo, a infraestrutura da planta permite à Clariant armazenar e despachar as soluções químicas pelo terminal portuário para os clientes que desenvolvem operações offshore no país”, explica Carlos Tooge, Vice-Presidente para a América Latina da Unidade de Negócios Oil & Mining Services da Clariant. A localização geográfica da unidade é estratégica, pois está próxima às três principais bacias – Santos, Campos e Espírito Santo –, responsáveis por mais de 90% da produção de petróleo no país. “Nosso objetivo é oferecer ao mercado brasileiro um portfólio completo de soluções para as operações offshore de exploração e produção de hidrocarbonetos”, conclui Tooge .



Carlos Tooge, vice-presidente para a América Latina da Unidade de Negócios Oil & Mining Services da Clariant




A localização geográfica da unidade é estratégica, pois está próxima às três principais bacias – Santos, Campos e Espírito Santo –, responsáveis por mais de 90% da produção de petróleo no país.





quinta-feira, 2 de junho de 2016

Parente e o desafio de tirar a Petrobras do fundo do poço






Com pesadas críticas à gestão anterior e com promessas de buscar recuperar a empresa por intermédio de uma política de eficiência operacional, o novo presidente da Petrobras, Pedro Parente, assumiu, oficialmente, o cargo nesta quinta-feira (2/6), A cerimônia de posse ocorreu no prédio sede da estatal no Rio de Janeiro.

Parente, que foi ministro Chefe da Civil durante gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), e que ganhou notoriedade quando assumiu o cargo de coordenador  de um grupo de trabalho interministerial para gerenciar e unificar as ações de racionamento de energia, durante a crise do 'apagão' em 2001, tem pela frente a dura missão de recuperar uma empresa que se encontra na pior crise econômica e de credibilidade desde a sua fundação em 1953.

Durante discurso de posse, Parente classificou como quadrilha o grupo de funcionários envolvidos no maior escândalo de corrupção corporativa da história do país. Além disso, o novo presidente da empresa também creditou ao que considerou como erros dogmáticos políticas implementadas pelo governo Dilma Rousseff, causando sérios problemas financeiros à empresa. 

O blog ORB elencou alguns desafios a serem enfrentados por Parente:


Venda de ativos

 Antes do afastamento da presidente Dilma, o então presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, já anunciava a abertura de capital da BR Distribuidora e venda da partipação da estatal na Braskem, a sétima maior petroquimica do mundo. Segundo Parente, essa política terá continuidade. No entanto, o poder de barganha de possíveis interessados é grande, uma vez que a empresa tem que correr contra o tempo para diminuir a sangria causada pelo forte endividamento (com grande parte da divida em dólar) num momento em que o mercado de petróleo e gás no mundo se encontra em grande baixa. Além disso, tentar convencer possíveis compradores que o controlador, no caso o governo, não terá políticas intervencionistas será um outra tarefa a ser encarada pelo novo presidente.


Problemas com empresas fornecedora de serviços

Outro grande problema a ser enfrentando será encontrar soluções e alternativas para empresas fornecedoras de serviços, sobretudo os de engenharia, uma vez que as principais empresas do setor estão envolvidas no escândalo do Lava-Jato. Como resolver esse impasse? 


Conteúdo Local

O novo presidente também teceu críticas à política de conteúdo local brasileira que, segundo ele, causa problemas relacionado a custo e prazo de entrega de encomendas. Apesar de ser uma agenda antiga que faz coro com as outras operadoras que atuam no país, a política de conteúdo local sempre foi uma bandeira das empresas brasileiras, que defendem a reserva de mercado com forte apelo à defesa da indústria nacional. No momento em que o setor industrial enfrenta uma das piores crises da sua história, com desemprego e quedas nas receitas, levar a frente uma proposta que garanta maior flexibilidade na aquisição de produtos trará duros embates entre representantes das indústrias locais e a estatal. 

Fim do status operador único do pré-sal

O projeto de lei do senador José Serra (PSDB-SP), que muda o marco regulatorio do petróleo também foi tema do discurso do novo presidente da empresa. Aprovado no Senado, mas, ainda, em tramitação na Câmara, o projeto tem como objetivo retirar a obrigatoriedade da empresa em ser a única operadora em campos do pré-sal a serem licitados pelo modelo de partiha de produção (caso do campo de Libra, na bacia de Santos).
É importante salientar que mesmo com a alta produtividade do pré-sal, que registrou, em maio, a marca de 1 milhão de barris por dia - 40% da produção nacional - as operaçoes nas áreas ultra-profundas têm custo alto e apresentam grande peso ao caixa da empresa. Prova disso, foi a decisão da empresa de se ausentar no último leilão de campos exploratórios para não comprometer ainda mais os custos que ela tem tido, sobretudo em Libra. Com a aprovação da lei, além de dar mais fôlego à Petobras, como, também, permitirá ao governo realizar mais leilões do pré-sal sem ter que, assim, onerar a petroleira brasleira.


Política de preços de combustiveis

A intervenção da gestão anterior no preço dos combustíveis, principal fonte e receita da Petrobras, fez com que a companhia tivesse sérios problemas de caixa. Segundo levantamento feito pelo professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Edimar de Almeida, a política de controle de preços do governo federal trouze impactos negativos do desalinhamento dos preços na Petrobras. 

" A dívida da Petrobras aumentou em mais de 70% de 2011 a 2013, sendo o aumento mais forte de 2012 para 2013 (36%). (...) crescimento da dívida líquida foi ainda maior (mais que dobrou). Em termos absolutos, entre 2011 e 2013 a dívida bruta e a líquida cresceram mais de R$ 100 bilhões" - O estudo pode ser acessado aqui .




Embate com petroleiros

O sindicato dos petroleiros se mostrou crítico às recentes gestões da Petrobras (tanto na era FHC como nos anos Lula e Dilma), sobretudo no que tange ao processo de terceirização da empresa. Além disso, o sindicato sempre foi contrário à ideia de venda de ativos e participação de empresas estrangeiras nas atividades de exploraçao e produção de petróleo no país. A mudança do regime de concessão para o de partilha e a obrigatoriedade de ter a Petrobras como a operadora única  para os futuros leilões do pré-sal atendeu, mesmo que de forma timida, as reinvidaçoes históricas da categoria. 

No entanto, com o afastamento da presidente Dilma Rousseff, cujo partido possui uma aliança histórica com a categoria, o sindicato ficará mais à vontade para promover fortes embates com a atual direção da Petrobras, que, segundo Parente, promoverá medidas de austeridade empresarial. Greves e paralisações podem dar o tom na relação entre petroleiros e os mandatários da estatal. 




terça-feira, 31 de maio de 2016

Entrevista Matt Wood, UK Trade Brazil - "Temos hoje 200 empresas britânicas da cadeia produtiva de óleo e gás presentes no Brasil"



Para o diretor geral da UK Trade & Investments no RJ, Matt Wood, as similaridades entre Brasil e Reino Unido são muito grandes no segmento de óleo e gás offshore










Rio de Janeiro (Brasil) - O Reino Unido e Brasil sempre tiveram boas relações no segmento de óleo e gás. Esse relacionamento se intensificou em função do forte aquecimento vivido pela indústria nos últimos anos. Com objetivo de aumentar ainda mais a presença de empresas britânicas no mercado brasileiro, a UK Trade & Investment in Brazil, departamento de promoção comercial do governo do Reino Unido, promoveu em março um encontro entre empresários, membros dos governos brasileiro e britânico e acadêmicos para discutirem pautas que possam ajudar a impulsionar os negócios entre os dois países.

Em entrevista, Matt Woods, cônsul-Geral Adjunto e diretor do UK Trade & Investment no Rio de Janeiro, falou sobre o nível das oportunidades e os desafios existentes para realização de negócios entre os dois países. Leia, abaixo, os principais trechos da entrevista:



Qual é o peso do Brasil para o Reino Unido no segmento de óleo e gás? 

Matt Woods - O setor de energia, mais especificamente o de óleo e gás, é um dos mais exitosos dentre todas as nossas campanhas no Brasil. Inclusive o Brasil é atualmente o segundo mais bem sucedido parceiro global para companhias Britânicas do setor com o apoio do Governo Britânico. Apenas nos últimos três anos, ajudamos empresas do Reino Unido a fecharem negócios de cerca de R$ 12 bilhões no setor de petróleo e gás/ energia no Brasil. Temos hoje 200 empresas britânicas da cadeia produtiva de óleo e gás presentes no Brasil e nos últimos três anos foram organizadas 25 missões comerciais entre os dois países. Falando no futuro, não podemos esquecer que o pré-sal deve ser bastante explorado e traz excelentes perspectivas para a economia brasileira em longo prazo. Esta ainda é a maior descoberta de petróleo do hemisfério ocidental dos últimos 40 anos, estimada em 50 bilhões de barris de petróleo, e é também uma ótima oportunidade para as empresas britânicas, pois podemos ser valiosos parceiros para o Brasil na exploração do pré-sal, contribuindo com a expertise obtida no mar do norte e tecnologia de ponta.


Na sua opinião, quais são as grandes vantagens e desvantagens para empresas britânicas do segmento de óleo e gás atuarem no Brasil?


 M.W. - As similaridades entre o Brasil e o Reino Unido são muito grandes. A experiência de exploração e produção por mais de 50 anos no Mar do Norte levaram a indústria britânica a desenvolver uma forte cadeia de fornecedores que muito pode contribuir para os investimentos no Brasil em águas profundas, mais especificamente no pré-sal. Este ano tivemos a quarta edição do UK Energy in Brazil, um evento anual em que nós promovemos a troca de experiências entre empresas britânicas e brasileiras, além de apresentar novas tecnologias e debater os desafios do setor. Justamente pensando no potencial do Reino Unido e nas oportunidades no Brasil foi que definimos os 3 temas principais do UK energy In Brazil deste ano: Construção Naval e Offshore, Maximização da Produção e Subsea.

Quantas companhias de petróleo atuam atualmente no Brasil no segmento de óleo e gás? Há alguma expectativa de crescimento deste número?

M.W. - Temos grandes empresas como a Shell e BP, e grandes empresas fornecedoras como Rolls Royce, Wood Group e AMEC Foster Wheeler. Mas também existe um nú- mero significativo de empresas britâ- nicas de pequeno e médio porte. São mais de 200 empresas britânicas atuando nos segmentos de petróleo e gás e indústria naval no Brasil. Mesmo as empresas pequenas têm trazidos tecnologias inovadoras implementadas no Mar do Norte para o offshore brasileiro. Acreditamos que há espaço para muito mais. No campo da mineração, a Anglo American tem desenvolvido projetos em Minas Gerais e Goiás. Já no setor elétrico, a nossa participação tem sido mais tímida em termos, mas não pela falta de oportunidades no mercado - queremos aumentar nossa presenca neste segmento. Há também uma presen- ça significativa de empresas e investidores britânicos em outro setores, como no farmacêutico, de infraestrutura, automotivo e outros. Para o UK Energy in Brazil 2016 recebemos 18 empresas interessadas em negócios e parcerias com o Brasil.




       A Shell é uma das empresas britânicas que mais investe no mercado offshore brasileiro




O Brasil está passando atualmente por problemas sérios por conta de escândalos de corrupção na Petrobras, afetando negócios de muitas empresas que atuam no setor. Como a UK Trade está acompanhando esse problema?



M.W. - Em tempos de grandes desafios, as empresas e indústrias precisam inovar mais. E a inovação muitas vezes vem não só de ideias originais, mas a partir da evolução de ideias, tecnologias transportadas de uma realidade para outra, através do estreitamento das parcerias. E é justamente essa parceria fundamental, essa troca de ideias, tecnologias e experiências entre empresas brasileiras e do Reino Unido que o evento possibilita. A situação atual também possibilita com que empresas brasileiras de qualidade possam buscar mais sócios britânicos. É uma oportunidade para as empresas britânicas apostarem nos ganhos a longo prazo, pois essas maior feira offshore do mundo e a principal feira da Europa, realizada em Aberdeen, na Escócia, em uma mis - são organizada pelo UKTI, em parce - ria com a Confederação Nacional de Indústria (CNI).





Há algum acordo ou convênio entre empresas britânicas e empresas brasileiras coordenado pela UK Trade no campo da Pesquisa e Desenvolvimento e Inovação para o segmento de óleo e gás? Como elas podem aproveitar as oportunidades existentes no mercado britânico? 

M.W. - Nossas atividades e projetos têm nos ajudado a construir relacionamentos sólidos com o governo brasileiro e com isso implementar atividades fru - tíferas não só para o Brasil e o Reino Unido mas também no âmbito glo - bal. Investimos em projetos que pro - porcionam win-win, ou seja, oportu - nidades que apresentam uma boa troca de experiências para ambos os países e que sejam interessantes para o avanço ou aprimoramento de políticas públicas e que possivelmente gerarem oportunidades de negó cios também.


E a que o senbor atribui esse sucesso?

M.W.-O sucesso da parceria entre o Reino Unido e o Brasil no setor de energia se deve a um envolvimento integral que vai além das conhecidas parce - rias comerciais. Projetos que visam o compartilhamento de conhecimento têm ganhado cada vez mais espaço, potencializados pelo memorando de entendimento para a cooperação no setor de energia, assinado por ambos países em 2006. O interesse acadê - mico também é considerável - apenas em 2015, o Reino Unido recebeu 11 mil estudantes brasileiros pelo programa Ciências Sem Fronteiras, muitos deles ligados ao setor de Óleo e Gás. Por meio de dois fundos de finan - ciamento e cooperação bilateral – o Prosperity Fund, que apoia o desen - volvimento do Brasil em áreas estra - tégicas da economia, como logística e infraestrutura, e o Newton Fund, que dá suporte a iniciativas de ciê cia, tecnologia e inovação, temos au - mentado muito nossos investimen - tos no Brasil. Em janeiro Prosperity Fund anunciou um investimento glo bal de £1.3 bilhões (cerca de R$ 7.8 bilhões) em cooperação para os pró - ximos 5 anos, sendo o Brasil um país prioritário. Recebemos um número de projetos sem precedentes. Foram cerca de 800, número 6 vezes supe - rior ao do que o ano passado. Como a area de energia é prioritária para o Prosperity Fund no Brasil, certamente teremos excelente projetos que en - volvam o setor de O&G nos próximos 5 anos.

Como a atual crise de pe - tróleo atual, que apresenta preços bastante baixos, está afetando a indústria britânica de óleo e gás como um todo? O senhor poderia falar em número? 

M.W. - É um momento delicado para a indústria como um todo, e ocorrem, no momento, reduções de custos em todos os setores a nível mundial. A verdade é que as reservas petrolíferas na região do pré-sal garantem a atra - tividade do Brasil. Além disso, temos hoje uma libra esterlina muito mais forte do que há um ano, o que signi - fica um cenário melhor para investi - dores do Reino Unido. O intercâmbio pode diminuir o nú mero de negócios porque as empre - sas diminuem os investimentos com o preço de petróleo mais embaixo, mas por outro lado, em um cenário de crise há sempre mais espaço para colaboração. Pode diminuir os inves - timentos das empresas, mas há es - paço para continuar a ter colaboração e parcerias. Dentro dessa perspectiva, a combina - ção do estado da arte da tecnologia e do capital que as empresas britâ - nicas podem oferecer é bastante in - teressante para um bom número de empresas brasileiras, particularmente aquelas de pequeno e médio porte, menos capazes de suportar as pres - sões atuais sem a injeção de capital. Tudo isso – junto com a demanda de produtos e serviços – pode resultar em alianças que, de alguma forma, sejam uma boa maneira de capitali - zar durante esse período de crise.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Amanhã vai ser outro dia?



O novo governo terá muitos desafios pela frente. Conseguirá ele dar nova direção após o fim da era Lula e Dilma?

Brunno Braga

A conclusão do processo que culminou com o impeachment da primeira mulher a ocupar o cargo político máximo no Brasil não somente representou a interrupção de um mandato marcado por uma severa crise política e econômica no país, mas, também, marcou o término de 13 anos da era petista no comando da política nacional.

Durante todo esse período no qual o governo do PT, que se iniciou com a eleição do ex-metalúrgico Luís Inácio Lula da Silva para presidente, em 2002, o setor de petróleo experimentou momentos de extrema euforia, dúvidas, incertezas e, mais recentemente, desânimo por conta de fatores externos– queda brusca no preço do barril no mercado internacional e a crescente demanda chinesa por commodities em geral – e internos – escândalo de corrupção envolvendo a principal companhia de petróleo do Brasil, a Petrobras.

É possível verificar, desse modo, que durante toda essa trajetória houve acertos e erros na política para o segmento no país. O aumento expressivo da produção,- que aumentou 35% entre 2002 e 2014, saindo de 1,7 milhão de barris por dia para 2,5 milhões de barris por dia, alguns incentivos para capacitação da indústria e da mão-de-obra local e a descoberta de reservas gigantescas na camada do pré-sal foram, sem dúvida, fatos positivos vividos ao longo da era Lula e Dilma.

Com todo esse movimento, favorecido pela conjuntura internacional, já que o barril do petróleo alcançou valorização recorde, o Brasil foi alvo de grande interesse por parte de empresas estrangeiras. Elas viam no país, que também mostrava bons resultados e estabilidade na sua política macroeconômica durante os primeiros anos do século, uma ótima oportunidade para investimentos.

Assim, grandes projetos e empreendimentos foram implementados e deram um grande impulso na geração de emprego e renda, sobretudo no estado do Rio de Janeiro, responsável por quase 90% da produção nacional.

Um dos setores que mais se beneficiaram com o boom do petróleo no mundo foi o da indústria naval. Depois de amargar mais e duas décadas de total esvaziamento, a indústria de construção de embarcações offshore nacional viveu a sua era e ouro, com encomendas demandadas pela Petrobras.


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De acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (SINAVAL), a indústria naval teve um faturamento médio de R$ 5 bilhões entre 2003 e 2009. Somente em 2010, a carteira de encomendas dos estaleiros registrava 156 empreendimentos, em construção ou finalizados, sendo 84 navios – petroleiros, porta-contêineres e graneleiros –, 23 navios de apoio marítimo e cerca de 43 rebocadores de apoio portuário, empurradores e balsas para transporte fluvial e outras embarcações.  Além disso, a indústria brasileira de construção naval já chegou a empregar diretamente mais de 46 mil pessoas.




Como prova da grande atratividade do mercado brasileiro de petróleo e gás os resultados da 11ª rodada de licitação da ANP, realizada em 2013, registrou, após cinco anos sem certame, recorde de empresas concorrentes e de bônus de assinatura. De acordo com dados da autarquia, 30 empresas adquiriram os 142 blocos.

Além da procura por parte de grandes companhias estrangeiras para adentrarem no mercado brasileiros de petróleo, foram criadas no Brasil novas empresas voltadas exclusivamente para operar em campos nacionais. No entanto, a mais emblemática delas foi a EBX, holding criada pelo empresário Eike Batista e que pretendia fazer dele um dos maiores conglomerados de energia do mundo. A ascensão e queda de Eike Batista no segmento de petróleo foi um dos eventos mais marcantes do período e que teve forte repercussão dentro do segmento.



Gargalos que permanecem

Mas nem tudo foram benesses e euforia durante esse período. Não se restringindo apenas à crise no setor causada pela operação Lava-Jato, cujos desdobramentos ainda estão em curso, as inúmeras oportunidades geradas foram, de certa forma, eclipsadas por obstáculos criados pelo governo federal, segundo muitos representantes da indústria. Alguns deles trouxeram apreensões e dúvidas quanto a investimentos a serem aportados no Brasil. O longo jejum de cinco anos (2007 a 2013) de leilões após sete anos ininterruptos foi um deles. 

Por questões ainda controversas (o governo justificava o impasse na questão da partilha de royalties), a indústria teve que represar seus investimentos numa época em que o preço petróleo já alcançava patamares muito acima do que era visto em anos.  E, mesmo, com a retomada dos leiloes, o governo Dilma antes dos últimos dias de deixar o cargo, não conseguiu implementar uma agenda de leilões reivindicada pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP).

Para contribuir com esse sentimento, as críticas relacionadas ao novo marco regulatório do pré-sal, que, entre outras regras, obriga a Petrobras a ser a operadora única para futuros contratos de licitação para exploração do pré-sal, é visto como um retrocesso à lei 9478/97, que estabelecia o fim do monopólio da Petrobras no Brasil.

A legislação sobre a obrigatoriedade do conteúdo local também foi tema de embates entre o governo e operadoras. Segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), somente em 2015 15 empresas foram multadas por descumprirem a lei, considerada extremamente rígida para os padrões internacionais.

A baixa qualificação de mão de obra e precariedade nos corredores logísticos também sempre foram objetos de críticas por parte de empresários do setor e que durante os 13 anos, tiveram poucos avanços em termos de melhoria.

Da ascensão à queda

“De todo histórico da gestão da presidente impeachada, o ponto mais importante é a constatação é de que Dilma Rousseff deixa o cargo e passa para o seu sucessor uma Petrobras em situação crítica, não somente em função dos escândalos da (operação) Lava Jato, mas também do forte e equivocado intervencionismo estatal na empresa, usada, inclusive, com objetivos políticos”, disse uma fonte que pediu para não ser identificada.

A Petrobras viveu grande parte dos 13 anos da era petista com grande galhardia. Após anunciar a descoberta do pré-sal. O aumento das reservas descobertas atraiu a atenção do mundo e fez a empresa se tornar um player de destaque no mercado internacional de ações, tendo o seu valor em bolsa, tanto no Brasil como nos Estados Unidos, atingindo níveis excelentes. Hoje, a Petrobras é a petroleira mais endividada do mundo (cerca de US$ 130 bilhões), perdeu o grau de investimento das principais agências de rating do mundo e luta para vender ativos num mercado em crise e que não está muito disposto a ir às compras.Reestrutur a maior empresa do Brasil nã será tarefa fácil para o novo presidente da Petrobras, Pedro Parente.





O que esperar do novo governo e de sua política para o petróleo?

O novo governo que assume e que tem mandato até 2018 já determinou algumas mudanças na política macroeconômica. Com um discurso de orientação mais liberal, isto é, com uma postura menos intervencionista por parte do Estado, o primeiro passo a ser dado será tentar conter a sangria nos cofres públicos, causados, sobretudo, por gastos excessivos da gestão anterior, que, segundo dados oficiais deixou um rombo de R$ 170 bilhões.

Contudo, mesmo com o anúncio do pacote de medidas feito em maio pelo ministro da Fazenda Henrique Meirelles, o governo Temer ainda não se posicionou a respeito do que fica e que muda em sua nova gestão. Será que Meirelles conseguirá implementar uma política mais liberal de preços de combustíveis? A nomeação do novo ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho (PSB-PE), ainda é vista com certa precaução pelo segmento, já que ele não tem experiência no setor de petróleo e gás e, por isso, terá de se valer de bons assessores para buscar implementar políticas que atendam ao setor.

Alguns movimentos podem dar sinais positivos. ´Recentemente, o Senado aprovou projeto de lei de autoria do senador José Serra (PSDB-SP) que altera o marco regulatório do petróleo, sancionado em 2010, e que retira o status de ter a Petrobras como operadora única em campos do pré-sal. O projeto ainda terá de ser votado na Câmara dos Deputados.
No entanto, é preciso considerar que a operação Lava Jato ainda está longe de ser finalizada. A cada dia surge novas denúncias, com novos envolvidos, inclusive com membros que compõe este novo governo.  

Tal situação causa paralisia e refração de investimentos, tão necessários para que o mercado não entre em colapso total. Por mais que as crises externa interna tenham ainda muita influência no setor, as atividades relacionadas à indústria do petróleo respondem por 12% do PIB. Por isso, é preciso que o novo governo trabalhe para que um novo amanhã surja para a indústria.



quinta-feira, 21 de abril de 2016

Is there a future for unconventional gas in Brazil?




Is there a future for unconventional gas in Brazil?

By Brunno Braga (brcbraga@gmail.com)

In Brazil, unconventional gas is far from being a reality. Even with its potential, thanks to its geological characteristics, exploration depends on the overcoming of regulatory barriers and technological changes. A regulatory framework establishing clear rules related to environmental licenses and utilization of chemicals when drilling wells is essential to develop the industry. For that, it is necessary to prepare geological studies in order to know the required technologies used in those exploration processes. Everything depends on research and development, and the country will only enjoy the full Brazilian potential in unconventional gas through trials and errors.

Another barrier to be dealt with the shale gas industry is the economic one. Once the production of shale gas becomes feasible, it will be required to reduce costs in production. And it shows that there is  a long way ahead to be achieved. Unconventional gas production is forecast to begin in 2023. In the current scenario, it is too early to talk about issues such as distribution, flowing and reduction of costs with this gas. All studies are merely conceptual.

Argentina can be seen as a good example for the success of unconventional gas in South America. Yet t is too early to know the future impacts on the oil prices once the crisis is over and investments in shale gas are finally resumed. That is why it is imperative to be prepared to welcome fracturing technologies, rigs and qualified workforce by the time prices are stabilizing and clashing again with the traditional E&P activities.