segunda-feira, 4 de julho de 2016

Petróleo barato: o fim de uma era?

Por mais de dois anos, o preço do petróleo se encontrava em queda livre. No entanto, com o aumento da demanda e queda na oferta,especialmente por conta da baixa no estoque e problemas nas operações em países como Canadá, Nigéria e Líbia, esse quadro começa a mudar. 
Recentemente, a Agência Internacional de Energia anunciou que espera que o mercado de petróleo vai encontrar um equilíbrio até o final de 2016, o que significa que o mundo vai experimentar tanto um impulso na produção como no consumo de petróleo. Na última semana de junho, o preço do barril de petróleo tipo Brent se manteve na faixa dos US$ 50, após atingir esse patamar em maio deste ano depois de sete meses. 
Demanda
Do lado da demanda, China, Estados e Unidos e India vão registrar aumento do consumo por petróleo para este e para os próximos anos, conforme previsões feitas pela própria AIE.
A China, por exemplo, vai demandar 340 mil barris de petróleo por dia a mais comparado a 2015. Apesar de não mais ostentar o ritmo de forte crescimento visto em anos anteriores, o aumento da demanda se dará em função de investimentos na indústria petroquímica e crescimento da venda de carros. Segundo dados da Associação de Fabricantes de Automóveis da China, nos três primeiros meses do ano registrou um avanço anualizado de 6,8%.
Além dos bons resultados nas vendas de carros, a China vem intensificando os investimentos estatais na sua indústria de petroquímica, que em 2015 registrou crescimento de 10% em relação a 2014. Este ano, este setor pode ter uma performance semelhante, mantendo o gigante asiático como o principal motor da indústria petroquímica mundial.
Já a Índia, que por conta do bom ritmo de crescimento da atividade econômica no país, pode ultrapassar a China no consumo de petróleo. Segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE), do planeta média de ritmo da atividade econômica para os próximos 25 anos será, em média, de 6,5%, índice superior um ponto percentual do crescimento da China para o mesmo período. E, segundo, a mesma agência, a India, que somente possui 1¢ das reservas provadas de petróleo do mundo, terá que importar petróleo para manter esse ritmo.


Por fim, os Estados Unidos que, mesmo com uma recuperação tímida, consegue ter grande peso para os índices de consumo de petróleo em escala global.  O país vem experimentando oscilações no estoque de petróleo, mas, também, registra queda na produção em função do corte de investimentos feito pelas empresas para fugirem dos preços baixos.  
Oferta
Desde meados de 2014, a grande oferta de petróleo puxou os preços para baixo, prejudicando os balancetes das empresas e causando danos aos orçamentos de países dependentes da exploração e produção de petróleo, como Rússia e Iraque.
Se o preço do petróleo está chegando perto de um ponto de equilíbrio entre oferta e demanda isso não se dá por causa dos principais membros da Opep, especialmente a Arábia Saudita, que manteve a produção mesmo com os preços em queda.
Ao invés disso, o mercado pode agradecer às interrupções das ofertas de petróleo, no qual chegou, em maio, ao seu maior nível em cinco anos.  Os declínios da produção ocorreram em grande parte por conta de incêndios no Canadá que derrubaram as atividades em alguns campos de sand oil na província de Alberta.
Outras regiões também apresentam problemas: uma nova geração de milicianos no Delta Niger, no sul da Nigéria, está mirando nas instalações de produção de petróleo no local. Enquanto isso, a Líbia continua em processo de desintegração política, o que faz com que a produção e exportação de petróleo do país fiquem apenas uma fração do que era antes da guerra civil que o país se encontra.

Outros importantes produtores de petróleo, com destaque para a Venezuela, enfrentam graves crises política e econômica. Muitos especialistas acreditam que as exportações de petróleo venezuelano vão ter forte queda este ano.

Juntos, a queda no estoque, ataques e incêndios derrubaram a produção em 3,7 milhões de barris de petróleo por dia.  Tudo isso ajudou a empurrar os preços do petróleo para sua maior alta em anos. Nos últimos dois anos, o mundo ficou então inundado em petróleo que o mercado podia dar de ombros ao virtual desaparecimento da indústria do petróleo na Líbia, por exemplo, ou assistir ao retorno de milícias rebeldes da Nigéria sem sobressaltos. Agora, contudo, a queda no estoque pode causar grandes ondulações num mercado cada vez mais comprimido.
Fato é que o mundo não est de volta à época na qual qualquer tropeço na oferta significava um aumento de  no preço, mas o mercado está bem acordado para os acontecimentos geopolíticos.
Enquanto os incêndios no Canadá, nos quais, em seu pior momento, foram responsáveis por reduzir a produção em mais de 1 milhão de barris de produção de petróleo por dia , estão diminuindo, as turbulências na Nigéria e na Líbia ainda estão longe de terminarem, segundo análises feitas por especialistas da AIE. 
O quadro geopolítico tem ajudado a dar maior estabilidade para os preços do petróleo e acelerando o equilíbrio global entre oferta e demanda.
A Nigéria tem importante papel nesse processo de turbulências, pois além das instalações serem alvo de vandalismo, o que contribuiu para a queda de 1 milhão de barris por dia, há também o surgimento de uma nova geração de rebeldes que parecem ser mais resistentes a qualquer tipo de negociação com o governo.

 
Correndo por fora, temos a Arábia Saudita e sua política de produção a todo vapor. O reino ainda continua produzindo próximo a níveis recorde 10,2 milhões de barris por dia. Isso significa que o país árabe tem muito menos capacidade de aumentar a produção de petróleo para atender às necessidades globais por esse combustível. Ou seja, quanto mais a Arábia Saudita produz, menos capacidade de estoque de reserva existe no seio da Opep.

E como a capacidade de estoque de reserva é essencial para absorver choques no mercado global de petróleo, o mundo pode estar em breve numa rota de turbulência. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário